Estudos

A Incredulidade

Após Moisés, o servo fiel em toda a casa de Deus ( Hb 3:5  ), expor ao povo as palavras que Deus lhe havia anunciado “Agora, se diligentemente ouvirdes a minha voz, e guardardes a minha aliança, sereis a minha propriedade peculiar dentre todos os povos” ( Ex 19:5  ), todo o povo a uma só voz respondeu: “Tudo o que o Senhor falou, faremos” ( Ex 19:8  ). Um coração incrédulo propõe fazer tudo o que o Senhor ordena ( Ex 19:8  ), porém, o que é agradável a Deus, não faz, ou seja, ouvir (temer, crer) a palavra de Deus ( Is 66:4  ; Jr 32:40  ). Escolhem os seus próprios caminhos porque tremem de medo e rejeitam o Senhor ( Ex 20:18  ; Is 66:3  ).

“Agora, se diligentemente ouvirdes a minha voz, e guardardes a minha aliança, sereis a minha propriedade peculiar dentre todos os povos” ( Ex 19:5  )

Após Moisés, o servo fiel em toda a casa de Deus ( Hb 3:5  ), expor ao povo as palavras que Deus lhe havia anunciado “Agora, se diligentemente ouvirdes a minha voz, e guardardes a minha aliança, sereis a minha propriedade peculiar dentre todos os povos” ( Ex 19:5  ), todo o povo a uma só voz respondeu: “Tudo o que o Senhor falou, faremos” ( Ex 19:8  ).

A unanimidade do povo ao dizer: ‘Tudo que o Senhor falou, faremos’, demonstra espontaneidade, voluntariedade e disposição quanto a prestar um serviço a Deus.

A resposta dada pelo povo ao profeta Moisés ecoou ao longo dos séculos, e novamente foi repetida na presença do Messias, que como Filho sobre sua própria casa, foi fiel ao que O constituiu ( Hb 3:2  ): “Disseram-lhe, pois: Que faremos para executarmos as obras de Deus?” ( Jo 6:28  ).

Há um paralelo sem precedentes entre Moisés com o povo no deserto, e Jesus com o povo de Israel sob o domínio dos Romanos. Ambos, servos de Deus, aquele como servo e este como Filho ( Hb 3:2  -6).

Este paralelo demonstra que Israel, como povo de Deus, em todos os tempos nunca confiou em Deus. Apesar de serem voluntariosos e dispostos a prestar serviço a Deus ( Rm 10:2  ), sempre desprezaram os seus servos, e por último, lançaram mão do Filho ( Mt 21:37-  39).

Recapitulemos alguns momentos históricos:

Logo após a travessia do mar vermelho, ao chegar em Mara, o povo de Israel murmurou contra Moisés, dizendo: “Que haveremos de beber?” ( Ex 15:25  ). Por causa da murmuração do povo, Deus lhes deu estatutos e ordenanças com o objetivo de prová-los ( Ex 15:25  ).

Pouco tempo depois, no deserto de Sim, o povo novamente murmurou contra Moisés e Arão ( Ex 16:2  ), e Deus fez ‘chover’ carne e pão dos céus para prová-los, se seguiam a sua lei ou não ( Ex 16:4  ; Dt 8:2  ).

A ordenança do Senhor não era difícil de realizar, pois bastava o povo crer na palavra do Senhor, atendo-se a colher uma porção do maná para cada dia, porém, não deram ouvidos a Moisés ( Ex 16:20  ).

O povo no deserto viu e comeu o pão que Deus deu a comer, porém, não deu ouvidos à palavra de Deus, o verdadeiro pão que dá vida aos homens, e foram reprovados.  A vida é proveniente da palavra de Deus ( Dt 8:3  ), ou seja, não deriva dos sentidos (ver) ou da satisfação das necessidades física do homem (comer)( Ex 16:28  ). Por não confiarem em Deus, logo a seguir, tentaram ao Senhor em Redifim dizendo: “Está o Senhor no meio de nós, ou não?” ( Ex 17:7  ).

Quando o povo chegou ao monte Sinai, Deus lhes disse: “Agora, se diligentemente ouvirdes a minha voz, e guardardes a minha aliança, sereis a minha propriedade peculiar dentre todos os povos” ( Ex 19:5  ). O povo foi novamente instruído a ouvir a voz de Deus.

Naquele momento (agora) Deus estava estabelecendo uma aliança com base na Sua fidelidade, tendo como exigência somente o ouvir diligentemente à voz de Deus, ou seja, bastava confiar (ouvir), porém, o povo queria realizar algo ( Ex 19:8  ).

Em seguida Deus anunciou a Moisés que viria em uma nuvem expessa para que o povo ouvisse quando Ele falasse com Moisés, para que cressem também em Moisés ( Ex 19:9  ). Entretanto, quando Moisés levou o povo para fora do arraial e Deus começou a falar, o povo temeu e fugiu ( Ex 20:18  ).

Apesar da voluntariedade e espontaneidade, o povo não atendeu a ordem divina: “Agora, se diligentemente ouvirdes a minha voz…” ( Ex 19:5  ), rejeitaram a voz de Deus “Fala tu conosco, e ouviremos. Mas não fale Deus conosco…” ( Ex 20:19  ), pois não confiavam em Deus que firmou a aliança “…para que não morramos” ( Ex 20:19  ; Ex 19:5  ).

Não foi diferente à época de Cristo, pois o povo lia os escritos de Moisés, mas não criam em Deus ( Jo 5:46  -47).

À semelhança dos milagres realizados no Egito para libertação do povo de Israel, Jesus operou muitos sinais miraculosos visando a libertação espiritual do povo.

Jesus atravessou o mar da Galiléia, e grande multidão O seguia por causa dos milagres ( Jo 6:1  ). Ao ver a grande multidão que se aproximava, Jesus tinha um plano, porém, perguntou a Filipe: “Onde compraremos pão para toda essa gente?” ( Jo 6:5  ).

Em seguida houve a multiplicação dos pães e peixes, e a multidão comeu carne e pão até estarem saciados, de modo semelhante ao povo que comeu carne e maná (pão) no deserto. Após o milagre foi recolhido doze cestos de pães que sobejaram ( Jo 6:13  ).

A multidão viu o milagre realizado por Jesus e disseram: “Este é verdadeiramente o profeta que devia vir ao mundo” ( Jo 6:14  ). Ora, para o homem, um profeta verdadeiro é aquele que se ocupa das mazelas sócio-econômicas do povo. Se comer carne e pão a se fartar, a multidão procura fazer do profeta rei, porém, quando o profeta transmite a palavra de Deus, rejeitam-no.

Quando a multidão encontrou Jesus do outro lado do mar, ele alertou: “Trabalhai, não pela comida que perece, mas pela comida que permanece para a vida eterna, a qual o Filho do homem vos dará…” ( Jo 6:27  ).

Diante da oferta de comida (vinho e leite) sem dinheiro e sem preço que o Filho do homem fez ( Is 55:1  ), o povo fez a pergunta emblemática: “Que faremos para executar as obras de Deus?” ( Jo 6:28  ). E Jesus respondeu: “A obra de Deus é esta: crede naquele que Ele enviou” ( Jo 6:29  ).

Deus enviou o seu servo Moisés para que cressem e não creram. Enviou muitos outros profetas e continuaram não crendo. Por último, Deus enviou o Filho, e o povo permaneceu firme na incredulidade, não se demoveu de suas convicções: “Tudo que o Senhor falou, faremos” ( Jo 6:28  ; Ex 19:8  ), e permaneceram longe do Senhor, por não ouvirem a Sua voz “O povo permaneceu de pé de longe, enquanto Moisés se chegou às densas trevas, onde Deus estava” ( Ex 20:21  ).

Quando Jesus anunciou que a obra que Deus tem a realizar se vincula à sua Palavra, a multidão, como o povo em Redifim, tentaram a Cristo dizendo: “Que sinais miraculosos, pois, fazes tu, para que vejamos e creiamos em ti? Que farás? Nossos pais comeram o maná no deserto, como está escrito: Deu-lhes a comer pão do céu” ( Jo 6:30  -31).

O sinal miraculoso da multiplicação dos pães, que o povo viu e comeu, ficou no esquecimento. Com base em suas necessidades pessoais, tentaram a Cristo “Está o Senhor no meio de nós, ou não?” ( Ex 17:7  ). Ver sinais miraculosos, comer carne e pão, ou beber água que sai da rocha em pleno deserto, não traz fé aos homens.

Enquanto buscavam saciedade, Jesus se apresentou como sendo o pão da vida. Jesus anunciou que, qualquer que vem (crê) até Ele, jamais terá fome ou sede. Qualquer que ficar de longe, mesmo que prestando serviço voluntariamente, e não der ouvido à palavra anunciada, não terá vida em si mesmo ( Jo 6:53  ).

O povo não queria ouvir a palavra de Deus junto ao monte Sinai, e não deram ouvido ao que Cristo anunciava, porém, desejava ver sinais miraculosos como condição essencial para crerem.

Deus providenciou o Verbo encarnado porque o povo exigia ‘ver’. Deus providenciou a Pedra Angular, o que é muito mais maravilhoso do que qualquer sinal miraculoso, e mesmo assim rejeitaram-no “Isto foi feito pelo Senhor e é coisa maravilhosa aos nossos olhos?”  ( Mc 12:11  ; Sl 118:23  ).

Deus alertou para que o povo O ouvisse diligentemente, porém o povo exigia ver e queria fazer. A voluntariedade do povo em prestar serviço fez com que se afastasse do Deus vivo ( Ex 19:8  ; Ex  20:18 ; Hb 3:12  ). O povo foi convidado a confiar (ouvir) no cuidado de Deus, o garantidor da aliança, mas pensaram que o ‘favor’ de Deus era a paga pelas suas realizações. Erraram em seus corações e não conheceram o caminho de Deus ( Hb 3:10  ).

Por que Deus concitou o povo no deserto a ouvir? Porque a fé (confiança) e a vida (ouvir) vêm pela palavra de Deus “De sorte que a fé é pelo ouvir, e o ouvir pela palavra de Deus” ( Rm 10:17  ). Só ouve a palavra de Deus aquele que tem vida, vida que é concedida através da palavra de Deus ( Dt 8:3  ).

Jesus, por sua vez, convidou o povo a comer da sua carne e a beber do seu sangue, para que alcançassem vida “Jesus, pois, lhes disse: Na verdade, na verdade vos digo que, se não comerdes a carne do Filho do homem, e não beberdes o seu sangue, não tereis vida em vós mesmos” ( Jo 6:53  ). Ora, a carne e o sangue de Cristo é verdadeiramente comida, e por isso ele concitou os seus ouvintes a trabalhar pela comida que permanece para a vida, ou seja, que cressem em seu nome ( Jo 6:27  ).

Em todos os tempos Deus nunca desistiu da humanidade, visto que a mensagem é a mesma em todos os tempos: “Agora, se diligentemente ouvirdes a minha voz…” ( Ex 19:5  ); “Ouvi-me atentamente, e comei o que é bom (…) Inclinai os vossos ouvidos, e vinde a mim, ouvi, e a vossa alma viverá” ( IS 55:2 -3 ; Jo 6:63  e Hb 2:1  ).

Ora, ‘nem só de pão viverá o homem, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus’ ( Mt 4:4  ), porque as palavras ditas por Cristo ‘… são espírito e vida’ ( Jo 6:63  ).

Por que confiar? Porque a palavra de Deus não volta vazia. É a palavra de Deus que realiza tudo o que é aprazível a Deus ( Is 55:11  ). Basta somente o homem comprar sem dinheiro e sem preço, ou seja, ouvir, que receberá as firmes beneficências prometidas a Davi, conforme a aliança que ele estabeleceu ( Is 55:3  ).

Certa feita Jesus foi abordado por um homem de posição, e ao ouvi-lo dizer que fazia todas as coisas pertinentes à lei desde a sua mocidade, recebeu o seguinte alerta: “Ainda te falta uma coisa” ( Lc18:22 ). O alerta de Jesus foi motivado pela convicção do homem “Todas essas coisas tenho observado desde a minha mocidade. Quando Jesus ouviu isto, disse-lhe: ‘Ainda te falta uma coisa’” ( Lc 18:21  -22).

A fala do homem de posição reproduziu o mesmo pensamento do povo no deserto que pereceu e não entrou no descanso prometido por Deus ( Hb 3:17  )! Tanto o povo do deserto quanto o homem de posição estavam confiados em suas próprias realizações. Ele estava seguro de que realizava o necessário para ter direito a vida eterna.

Este também era o entendimento dos escribas e fariseus, visto que sabiam os mandamentos de cor, não matavam, não roubavam, não adulteravam, não diziam falso testemunho, honravam pai e mãe, etc ( Lc 18:11  compare Lc 18:20  -21), porém, faltava a todos uma única coisa: comprar sem dinheiro e sem preço, vinho e leite, ou seja: ouvir atentamente ( Is 55:1  ).

Por descenderem da carne de Abraão, os fariseus estavam confiados na sua carne, ou seja, faziam dela a sua força ( Jr 17:5  ; Fl 3:4 ). Honravam a Deus com os lábios, mas o coração apartava-se do Senhor ( Jr 17:5  ; Is 29:13  ). O temor deles consiste em mandamentos de homens, pois não deram ouvido à palavra do Senhor “E farei com eles uma aliança eterna de não me desviar de fazer-lhes o bem; e porei o meu temor nos seus corações, para que nunca se apartem de mim” ( Jr 32:40  ).

Na palavra de Deus (temor) há fidelidade perpétua, pois Ele estabeleceu uma aliança eterna “No temor do SENHOR há firme confiança e ele será um refúgio para seus filhos” ( Pr 14:26). Mas, qualquer que não ouve a sua palavra, em vez de se refugiar, se lança da presença de Deus (Ex 20:18 ). 

Deus falou ao povo de Israel através de profetas, mas nestes últimos dias falou ao seu povo através do Filho ( Hb 1:1  ). A proposta é a mesma que foi apresentada no deserto: que o homem atente diligentemente para as coisas que já foram anunciadas ( Hb 2:1  ; Ex 19:5  ).

O alerta do Espírito Santo é para que o homem ouça a sua voz ( Hb 3:7  ), para que possa ter acesso ao descanso prometido ( Hb 3:11  ; Sl 95:11  ). Sendo certo que, todos que crêem entram no descanso prometido, tal qual foi anunciado pelo Senhor ( Hb 4:3  ).

Aquele que confia na palavra de Deus entra para o repouso do Senhor, e assim como o Senhor, descansa de suas obras ( Hb 4:10  ). Passa a assentar (descanso) nas regiões celestiais em Cristo ( Ef 2:6  ).

Enquanto os sacerdotes da antiga aliança não podiam assentar no tabernáculo porque o povo não quis ouvir a palavra de Deus, os sacerdotes da nova aliança estão descansados, pois estão assentados nas regiões celestiais em Cristo ( 1Pe 2:5  ). 

Mas, qualquer que queira fazer alguma obra, não confia em Deus, que trabalha para aqueles que nele esperam “SENHOR, tu nos darás a paz, porque tu és o que fizeste em nós todas as nossas obras” ( Is 26:12  ; Is 64:4  ).  A paz e o descanso prometido decorrem das obras que Deus realiza-nos que crêem.

Como o povo de Israel recuou no monte Sinai e se pôs ao longe para não ouvir a palavra do Senhor, o escritor aos Hebreus concita aos cristãos a se achegarem com confiança diante do trono da graça ( Hb 4:16  ).

Ora, o povo no deserto rejeitou ouvir a palavra de Deus, por isso ela foi impressa na pedra. Por não confiarem em Deus, a palavra de Deus que é viva e eficaz, rocha para quem confia, tornou-se pedra de tropeço para o povo de Israel ( Rm 9:33  ).

A promessa de Deus é de salvação a todos que crêem. A única coisa que faz o homem afastar-se de Deus é o coração perverso herdado de Adão ( Hb 3:12  ).  O coração é perverso por causa da ofensa de Adão, e nomeado incrédulo, por não se aproximar do Deus vivo ( Ef 4:18  ). Ao ouvir a mensagem do evangelho a ignorância é desfeita ( Ef 4:21  ).

Qualquer que crê que, por intermédio de sua palavra Deus cria (Bara) um novo coração e renova o espírito do homem, certamente entrou para o descanso do Senhor ( Sl 51:10  ).

No deserto, por meio da sua palavra, Deus daria ao povo um novo coração e um novo espírito, porém, por não darem ouvido à palavra (incredulidade), Deus imprimiu a sua palavra em uma pedra ( 2Co 3:3  ). Bastava o povo ouvir à voz de Deus, que Ele imprimiria sua Palavra em seus corações. Mas, como o povo não ouviu, Deus imprimiu sua palavra nas tabuas de pedra.

É necessário àquele que deseja a vida conscientizar-se de que as boas ou as más ações não mudam a condição do homem diante de Deus. Em Adão todos pecaram, e não há diferença diante de Deus entre os pecadores: o melhor é um espinho, e o mais reto é uma sebe de espinhos! ( Mq 7:4  ).

Quando o homem compreende que é impossível salvar-se por meio de suas ações, e refugia-se na palavra de Deus, então Deus realiza a sua obra ( Jo 6:29  ). Para que Deus realize a sua obra no homem, basta dar ouvido à palavra, que é espírito e vida ( Jo 6:63  ; 1Co 2:4 ). A obra que Deus realiza naqueles que ouvem a sua palavra (treme) é fazê-los nova criatura, o que torna as suas obras aceitáveis diante d’Ele “Porque a minha mão fez todas estas coisas, e assim todas elas foram feitas, diz o SENHOR; mas para esse olharei, para o pobre e abatido de espírito, e que treme da minha palavra” ( Is 66:2 ).

Após anunciar no Sermão da Montanha que os pobres de espírito são bem-aventurados, Jesus concluiu o sermão dizendo: “Portanto todo aquele que ouve estas palavras e as pratica, será semelhante ao homem prudente, que edificou a sua casa sobre a rocha” ( Mt 7:24 ; 1Co 10:4 ; Rm 9:32 ; At 4:11 ; Dn 2:45 e Ex 20:25 ).

Ou seja, o Sermão da Montanha deriva da mensagem anunciada por Deus através de Isaias. O pobre de espírito é bem-aventurado porque ouve a palavra de Deus ( Mt 5:3 ; Mt 7:24 e Is 66:2 ), porque come (treme) o que é bom ( Is 55:2 ).

Quem ouve e pratica as palavras de Cristo é comparável ao homem prudente que edifica sua casa sobre a rocha. Quem ouve e pratica vê que quem edificou todas as coisas é Deus ( Hb 3:4  ). É prudente pois sabe que está sobre edificado na pedra angular ( Ef 2:20  ), como pedras vivas ( 1Pe 2:5  ).

Após crer na mensagem do evangelho, basta conservar firme a confiança e a glória da esperança ( Hb 3:6  ; Hb 3:14  ). O temor (palavra) do Senhor deve estar no coração ( Hb 4:1  ), pois as boas novas também foi anunciado ao povo de Israel no deserto, mas foram incrédulos ( Hb 4:2  ).

E o que propõe um coração incrédulo? Propõe fazer tudo o que o Senhor ordena ( Ex 19:8  ), porém, o que é agradável a Deus, não faz, ou seja, ouvir (temer, crer) a palavra de Deus ( Is 66:4  ; Jr 32:40  ). Escolhem os seus próprios caminhos porque tremem de medo e rejeitam o Senhor ( Ex 20:18  ; Is 66:3  ).

 

Vitória sobre Satanás

cascabel2Você obteve vitória sobre o mundo e sobre a velha natureza por fazer parte da família de Deus. Você é mais que vencedor por Aquele que te amou. Mas, como resistir ao diabo?

Quando você creu em Cristo, você nasceu de novo e tornou-se um dos filhos de Deus ( Gl 3:26 ). Você foi gerado de novo de uma semente incorruptível, a palavra de Deus ( 1Pe 1:3 e 23).

Deus é Luz, e não há nele trevas alguma, e você é filho da luz “Porque todos vós sois filhos da luz e filhos do dia; nós não somos da noite nem das trevas” ( 1Ts 5:5 ).

Nada neste mundo pode afastá-lo da nova condição em Cristo “Porque estou certo de que, nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as potestades, nem o presente, nem o porvir, nem a altura, nem a profundidade, nem alguma outra criatura nos poderá separar do amor de Deus, que está em Cristo Jesus nosso Senhor” ( Rm 8:38 -39).

Ou seja, nenhuma criatura (inclusive Satanás) tem o poder de afastar os cristãos de Deus. Em todas as coisas enumeradas pelo apóstolo (acusações, condenações, tribulações, angustias, perseguições, fome, nudez, perigo, espada, etc), os nascidos de novo são mais que vitoriosos em Deus ( Rm 8:33 -37).

Satanás não pode afastar o homem de Deus, porém, o homem pode afastar-se de Deus. Como?

No jardim do Éden Satanás tentou o homem, mas Ele não tinha poder sobre o homem para fazê-lo transgredir.

Foi o homem que, de livre e espontânea vontade, ao analisar os benefícios que poderia obter da árvore do conhecimento do bem e do mal, lançou mão da árvore e comeu “Vendo a mulher que aquela árvore era boa para se comer, e agradável aos olhos, e árvore desejável para dar entendimento…” ( Gn 3:6 ). O homem esqueceu-se do alerta de Deus e guiou-se através dos seus sentidos.

O homem passou a confiar em seus sentidos e desprezou a palavra de Deus. Ao comer da árvore do conhecimento do bem e do mal o homem pecou contra o seu Criador. A relação de amizade entre Deus e a criatura foi comprometida.

A condição de inimizade com Deus (pecado) propagou-se a todos os seus descendentes, e é por isso que a bíblia diz que todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus.

Ao tentar o homem Satanás sabia que não tinha poder para obrigar o homem a transgredir, porém, sabia que somente a criatura pode distanciar-se do seu Criador. Isto havia acontecido com ele. Não foi Deus quem rejeitou a Satanás, antes, Satanás lançou-se da presença de Deus.

Qual era a ação de Satanás antes de você conhecer a verdade do evangelho?

O trabalho de Satanás com os incrédulos é cegá-los “Nos quais o deus deste século cegou os entendimentos dos incrédulos, para que lhes não resplandeça a luz do evangelho da glória de Cristo, que é a imagem de Deus” ( 2Co 4:4 ).

Embora Deus já tenha preparado salvação poderosa o bastante a todos os homens, eles permanecem na condição de inimigos de Deus pela ignorância que há neles “Entenebrecidos no entendimento, separados da vida de Deus pela ignorância que há neles, pela dureza do seu coração” ( Ef 4:18 ).

A ação de Satanás é voltada para comprometer o entendimento dos homens sem Deus, para que eles não sejam alcançados pela verdade do evangelho. Eles ignoram o amor de Deus, uma vez que ainda não lhes resplandeceu a luz do evangelho.

Como Satanás cega o entendimento dos homens sem Deus?

Satanás sabe que o homem guia-se pelos seus sentidos, uma vez que Adão e Eva portaram-se desta maneira no Éden. Satanás procura fazer com que os homens permaneçam guiados pelos seus sentidos, seguindo o coração perverso herdado em Adão.

Os homens são levados a não perceber que trilham um caminho de morte. Todos seguem o caminho espaçoso que conduz a perdição, porém, quando comparam a conduta uns dos outros, consideram que aqueles que buscam uma vida integra serão salvos, e que, os desregrados estão perdidos.

Os homens que vivem dissolutamente, cometendo toda sorte de torpezas, pensam que as suas condutas os faz inimigos (separados) de Deus. Já os que seguem todas as regras sociais e morais pensam que, por segui-las, poderão barganhar com Deus a salvação.

Satanás não lhes deixa chegar a luz do evangelho, para que permaneçam enlaçados no seu engano que ocorreu no Éden.

Não é o comportamento dos homens que os fez desagradáveis ou que os fará agradáveis a Deus.

O nascimento através da semente corruptível de Adão já os tornou desagradáveis, e somente através do novo nascimento o homem é agradável a Deus. Os homens nascem em pecado, e não importa o bem e o mal que façam, e isto não lhes melhorará a condição diante de Deus: estão mortos em delitos e pecados.

Quando você está em Cristo e alcança a condição de agradável a Deus, a luz do evangelho resplandece e desfaz a ignorância proveniente de Satanás. Você compreende que a única forma de o homem ter acesso a Deus é pelo novo e vivo caminho Hb 10: 20.

Depois disso, o nascido de Deus precisa conhecer quais são os ardis de Satanás, para que possa permanecer firme nos dias maus.

Ora, o ardil de Satanás está em falsificar a palavra de Deus, pois é através dela que você tem vida ( 2Co 2:17 ). Ele procura fazer com que o cristão não guarde o modelo das sãs palavras do evangelho “Conserva o modelo das sãs palavras que de mim tens ouvido, na fé e no amor que há em Cristo Jesus” ( 2Tm 1:13 ); “Ora, irmãos, desejo lembrar-vos o evangelho que já vos tenho anunciado, o qual recebestes e no qual permaneceis, pelo qual também sois salvos se o retendes tal como vo-lo anunciei” ( 2Co 15:1 -2 ).

Lembrando: Você é nascido de Deus e já venceu o maligno, porém, não deve ignorar os ardis de Satanás “Porque não ignoramos os seus ardis” ( 2Co 2:11 ). Você deve observar com maior diligência aquilo que já ouviu, para que em tempo algum venha a desviar-se da palavra da verdade do evangelho ( Hb 2:1 ).

Nada pode separá-lo do amor de Deus, pois as portas do inferno não prevalecem contra o corpo de Cristo, e você faz parte deste corpo ( Mt 16:18 ). Maior é o que está conosco do que aquele que está no mundo ( 1Jo 4:4 ).

O seu cuidado deve estar em prosseguir em conhecer ao Senhor por meio da sua palavra “Revesti-vos de toda a armadura de Deus, para que possais estar firmes contra as astutas ciladas do diabo” ( Ef 6:11 ). O cristão deve estar fortalecido em Deus, e na força do seu poder, que é o evangelho ( Ef 6:10 com Rm 1:16 ; 1Co 1:18 ). É preciso reter a verdade do evangelho conforme anunciado na Escritura ( 2Co 15:1 -2).

A concepção de mundo do cristão deve ser conforme a verdade do evangelho, pois, se for de outro modo, é preciso o arrependimento (mudança de conceito) “Instruindo com mansidão os que resistem, a ver se porventura Deus lhes dará arrependimento para conhecerem a verdade, E tornarem a despertar, desprendendo-se dos laços do diabo, em que a vontade dele estão presos” ( 2Tm 2:25 -26).

A segurança do cristão está no poder de Deus, e não em si mesmo, pois do contrário poderá ensoberbecer-se contra o seu irmão em Cristo, pois este é o engano do diabo (soberba). Somente o conhecimento de Deus livra o homem da queda proveniente das astutas ciladas do inimigo.

Você é um novo homem, regenerado, e trilha um novo e vivo caminho. Mas, a astúcia do diabo está em tentar fazer com que você se guie novamente através dos seus sentidos, com base no conhecimento proveniente da árvore do conhecimento do bem e do mal, e não segundo o conhecimento de Deus, que é a luz do evangelho.

Cuidado quando apresentarem a você outro evangelho pautado em boas ações, pois elas não conduzem o homem a Deus Hb 10: 20. Cuidado com as mensagens que apontam os deslize do homem como elementos que afastam o homem de Deus. Este é um ardil de Satanás, e se você abandonar a simplicidade do evangelho estará trazendo sobre si repentina condenação ( 2Co 11:3 ).

Quais são os riscos que Satanás representa àqueles que estão em comunhão com Deus? Embora Satanás não possa roubar ou extinguir a vida de Deus em você, ele possui ‘ardis’ para que você novamente comprometa a sua relação com Deus.

E quais são estes ardis?

Mudar o foco da palavra de Deus – Deus disse ao homem que poderia comer de todas as árvores do jardim livremente (liberdade) “De toda a árvore do jardim comerás livremente…” ( Gn 2:16 ), e  Satanás enfatizou a proibição: “É assim que Deus disse: Não comereis de toda árvore do jardim?” ( Gn 3:1 );

Distorcer a idéia da palavra de Deus – Embora o Salmo 91 seja um salmo messiânico, Satanás propôs a Cristo tentar a Deus, a pretexto de provar a sua filiação divina ( Mt 4:6 );

Comprometer a compreensão da palavra de Deus – A compreensão da palavra de Deus é essencial à nova vida, e a ação de Satanás é arrebatar o que é anunciado ( Mt 13:19 );

A verdade do evangelho demonstra que todos os homens são pecadores por nascerem de Adão, e que é preciso nascer de novo através de Cristo, o último Adão, para livrar-se da semente corruptível de Adão, tornando-se filhos de Deus.

Adão e Cristo são cabeças de duas gerações de homens. Adão é o cabeça da raça humana que é constituída de homens carnais, e Jesus, o cabeça de uma geração de homens espirituais ( 1Co 15:45 e 49).

A bíblia demonstra que o homem é pecador por ser descendente de Adão (filho da ira e da desobediência). O homem sem Cristo  peca porque é servo do pecado, e não dispõe de meios para mudar está condição, a não ser que Deus o redima através do novo nascimento.

Enquanto Deus demonstra através da sua palavra que a morte, a condenação e a ira veio sobre todos os homens por causa da desobediência de Adão, o diabo utiliza o ardil de apontar a conduta do homem como a fonte de todos os males.

Enquanto Jesus demonstra que do coração dos homens é que procede toda sorte de males, ou seja, o coração do homem é corrupto segundo a natureza pecaminosa herdada de Adão, os fariseus e escribas focavam o comportamento dos homens como sendo a raiz da malignidade ( Mt 15:18 -20).

O diabo foi vencido por Cristo na cruz, e você é vencedor por Cristo. Permaneça de posse desta vitória retendo a verdade do evangelho tal qual é anunciado na Escritura ( 2Co 15:2 ). E para isso, ‘tomai toda a armadura de Deus’ ( Ef 6:13 ).

Perguntas e Respostas:

1) Alguém pode afastá-lo de Deus? ( Rm 8:35 )

R. Não!

2) Satanás pode afastar o homem nascido de novo de Deus? ( Rm 8:39 )

R. Não!

3) O que fez Adão e Eva afastarem-se de Deus? Gn 3: 6; Guiarem-se e confiarem em seus _instintos__.

4) Satanás não tem poder para fazer o homem que está em Cristo distanciar-se de Deus, mas procura fazer com que o cristão se _distancie__.

5) Quais são os ardis de Satanás?

R. Mudar o Foco da palavra de Deus; distorcer a idéia da palavra de Deus; comprometer a compreensão da palavra de Deus.

6) No que consiste a armadura de Deus?

R. A Verdade do Evangelho.

7) Por que veio a condenação e a morte sobre todos os homens?

R. Porque Adão e Eva deixaram de confiar na palavra de Deus.

8 ) É o comportamento dos homens que os faz agradáveis a Deus?

R. Não!

9 ) Como ter acesso a Deus? ( Hb 10:20 )

R. Através de Cristo Jesus, crendo em sua palavra.

10) O que Satanás procurou fazer na tentação de Jesus?

R. Distorcer a palavra de Deus.

Ouvi, e a vossa alma viverá!

orelhaBasta o homem inclinar os ouvidos que se achegará a Deus. Ao ouvi-Lo, o homem terá vida! Deus estabelecerá com aqueles que se achegam a Ele (inclinam os ouvidos) uma aliança com base na sua fidelidade (perpétua), concedendo as mesmas benesses de Davi. Ora, se Deus promete vida é porque o homem está morto. Para entender a promessa divina, se faz necessário compreender quando e como o homem se distanciou de Deus deixando de ter vida!

“Inclinai os vossos ouvidos, e vinde a mim; ouvi, e a vossa alma viverá; porque convosco farei uma aliança perpétua, dando-vos as firmes beneficências de Davi” ( Is 55:3 )

Por intermédio do profeta Isaias Deus anuncia aos homens que, qualquer que ouvir a sua palavra terá vida!

Basta o homem inclinar os ouvidos que se achegará a Deus. Ao ouvi-Lo, o homem terá vida! Deus estabelecerá com aqueles que se achegam a Ele (inclinam os ouvidos) uma aliança com base na sua fidelidade (perpétua), concedendo as mesmas benesses de Davi.

Ora, se Deus promete vida é porque o homem está morto. Para entender a promessa divina, se faz necessário compreender quando e como o homem se distanciou de Deus deixando de ter vida!

A bíblia demonstra que todos os homens pecaram e que foram destituídos da glória de Deus ( Rm 3:23 ), ou seja, todos os homens são pecadores e separados estão de Deus.

Como a humanidade lançou mão desta condição miserável? Quando todos pecaram e em um só evento (juntamente) se desviaram? ( Sl 14:3 )

Ora, tudo começou com o primeiro pai da humanidade, Adão. Adão foi criado por Deus santo, justo e bom, ou seja, ele compartilhava da natureza de Deus. Existia em comunhão com a Vida e compartilhava da glória de Deus.

Adão foi avisado por Deus que, no dia em que comesse da árvore do conhecimento do bem e do mal, que estava no meio do jardim, haveria de morrer ( Gn 2:17 ). Embora santo, justo e bom, Adão nunca foi inocente (ingênuo), pois foi alertado quanto as conseqüências de sua decisão “O avisado vê o mal e esconde-se; mas os simples passam e sofrem a pena” ( Pr 27:12 ).

Adão foi avisado e não se escondeu do mal, ou seja, por ter sido avisado, ele já não era simples, ou seja, inocente. Há diferença entre ‘inocência’, que é ingenuidade e pureza, e ‘inocência’, que é estado de quem não é culpado. Não podemos confundir os significados da designação ‘inocência’, pois é essencial para a interpretação bíblica. 

Para o Dr. Scofield houve a dispensação da inocência, ou seja, ‘o homem foi criado em inocência, colocado em um ambiente perfeito (…) e advertido das conseqüências da desobediência’ Bíblia de Scofield com Referências, explicação a Gn 1:28 . Ora, como foi avisado por Deus, Adão já não era mais ‘simples’ (inocente, ingênuo), mas não era culpado, ou melhor ‘inocente’. 

Deus criou o homem do pó da terra ( Gn 2:7 ), colocou-o no Jardim do Éden para lavrá-lo e guardá-lo ( Gn 2:15 ), e foi alertado por Deus quanto a árvore que estava no meio do jardim ( Gn 2:17 ). Adão foi criado puro (inocente, inculpável), santo e bom, e alertado (não mais inocente) quanto ao perigo de se comer da árvore do conhecimento do bem e do mal.

Porém, apesar de avisado, tanto a mulher quanto o homem preferiram dar ouvidos à serpente: “Certamente não morrereis” ( Gn 3:4 ). Não dar ouvidos (credito) a palavra de Deus alienou o homem do seu Criador. Após atender a palavra de Satanás, o homem deixou de compartilhar da vida e da glória que há em Deus. 

O Homem morreu conforme a palavra do Senhor ( Gn 2:17 )! A justiça divina não tardou: o homem foi julgado e apenado com a morte “Pois assim como por uma só ofensa veio o juízo sobre todos os homens, para condenação…” ( Rm 5:18 ). 

A morte é alienação de Deus.  Por causa da lei santa justa e boa que diz: ‘… certamente morrerás’ ( Gn 2:17 ), o pecado encontrou ocasião na força da lei, e por ela aprisionou o homem ( 1Co 15:56 ). Sem a lei que diz: ‘certamente morrerás’ ( Gn 2:17 ), não existia para o homem a possibilidade de alienação de Deus, ou seja, o pecado estaria morto ( Rm 7:8 ). 

O mandamento de Deus foi dado para preservar o homem em vida, porém, após dar ‘ouvido’ à serpente, o homem ‘achou’ que o mandamento era o mesmo que morte, pois entendeu que ainda não estava pleno de Deus ( Rm 7:10 ; Gn 3:5 ). O homem entendeu que não ter o conhecimento do bem e do mal era o mesmo que não ter vida plena. Porém, vida plena é estar em Deus, mesmo sem o conhecimento do bem e do mal. 

Pela lei santa justa e boa, que visava preservar a comunhão do homem com Deus, o pecado achou ocasião, mostrando-se excessivamente maligno, pois pelo bem (lei) encontrou a força necessária para alienar o homem de Deus, e, assim, enganou e matou o homem ( Rm 7:11 ).

O homem perdeu a comunhão, a glória de Deus, a vida e a liberdade! Por natureza o homem passou a ser filho da ira e da desobediência, alienado de Deus ( Ef 2:2 -3 ). 

A condição de Adão passou a todos os seus descendentes. A morte veio por um homem e todos os homens morreram em Adão ( 1Co 15:21 -22). Um pecou, todos os seus descendentes pecaram ( Rm 5:16 ).

O apóstolo Paulo descreve a condição do homem destituído da gloria de Deus como morto em delitos e pecados ( Ef 2:1 ; Cl 2:13 ). O homem não dispõe de meios para livrar-se por si mesmo da condição herdada de Adão, sendo comparável aos escravos que nasciam alienados da liberdade.

Diante deste quadro horrendo, o pecado, apareceu a benignidade de Deus para com todos os homens ( Tt 3:4 ). Por ser riquíssimo em misericórdia, mesmo os homens estando mortos em delitos, anunciou: “Inclinai os vossos ouvidos, e vinde a mim; ouvi, e a vossa alma viverá…” ( Is 55:3 ; Ef 2:5 ).

Adão morreu por não dar ouvidos (obedecer) à palavra do Senhor. Não deu crédito à palavra do Senhor e acatou as palavras do pai da mentira.

Como pelo ‘ouvir’ se deu a injustiça do homem, somente pelo ‘ouvir’ é possível alcançar a justiça de Deus. O homem morreu por desprezar a palavra do Senhor, e somente pelo ouvir é possível alcançar a comunhão com Deus.

Por toda a bíblia o convite de Deus ecoa: “Agora, se diligentemente ouvirdes a minha voz, e guardardes a minha aliança, sereis a minha propriedade peculiar…” (Ex 19:5 ). Apesar de Deus prometer vida, muitos entenderam que Deus queria tirar-lhes a vida “Mas não fala Deus conosco, para que não morramos” ( Ex 20:19 ).

Por causa desta desconfiança, o povo foi provado pelo Senhor no deserto. Deus afligiu e deixou o povo ter fome, e depois os alimentou com o maná, codornizes, etc., para que entendessem que deveriam ouvir a palavra de Deus. Quando Deus provia pão para o sustento diário, parecia que o povo confiava em Deus, mas quando Deus lhes dava pequenas regras para ensiná-los a confiar, rejeitavam o Senhor ( Ex 16:4 ). 

Como alcançar entendimento? Como temer o Senhor? Os sinais miraculosos não suprem o que só é satisfeito pela palavra do Senhor! Através dos sinais miraculosos no deserto Deus queria dar a entender que ‘não só de pão vive o homem, mas de tudo o que sai da boca do Senhor’ ( Dt 8:3 ). 

Ora, se somente por intermédio da palavra de Deus viverá o homem, como é possível alguém reputar que ouvir a voz do Senhor é morte? ( Ex 20:18 -19). 

Deus promete por intermédio do profeta Moisés circuncidar o coração do povo para que tivessem vida, desde que se convertessem  ao Senhor dando ouvidos a sua voz ( Dt 30:2 e Dt 30:6 ). Por que lhes era necessário a circuncisão do coração se já eram circuncidados na carne? 

A circuncisão da carne era somente um sinal instituído por Deus para que os descendentes da carne de Abraão não se esquecessem da aliança estabelecida entre Deus e o patriarca Abraão. A circuncisão na carne ou ser descendente de Abraão não é o que estabelece a comunhão com Deus, antes a comunhão com Deus só é possível através da circuncisão do coração ( Rm 9:8 ). Esta é realizada somente por Deus, enquanto aquela feita por mãos humanas.   

Para obter comunhão com o Senhor, em primeiro lugar é necessário extinguir a comunhão com o pecado. Somente após extinguir a existência alienada de Deus (circuncisão do coração) é que o homem terá novo coração e um novo espírito, ou seja, vida em comunhão com o Espírito Eterno ( Ez 36:26 -27 ). 

Ouvir a palavra do Senhor não é um mandamento difícil, pois em ouvir a palavra de Deus está a vida. Neste diapasão anunciou o profeta Habacuque: “… mas o justo pela sua fé viverá” ( Hb 2:4 ). 

Qual é a fé do justo? É aquela que vem pelo ouvir da palavra de Deus, ou seja, a fé do justo é aquela revelada por intermédio da voz de Deus ( Gl 3:23 ). Necessário é ouvir a palavra de Deus para que se tenha vida, pois a fé vem pelo ouvir, e o ouvir pela palavra de Deus. 

O ‘justo vive pela fé’ porque crê na mensagem que lhe foi anunciada, pois é a mensagem anunciada que concede vida ( Rm 10:17 ). O justo vive pela promessa anunciada por Deus. Ora, a promessa anunciada é o mesmo que esperança proposta, e em descansar nela há justiça e vida ( Hb 6:18 ). Pela fé o homem é designado justo, pois passa a compartilhar da natureza do Autor da vida. 

A humanidade sem Deus está sedenta e faminta ( Is 55:1 ). Embora os homens trabalhem para terem comunhão com o Criador, tal empreitada não pode satisfazer-lhes ( Is 55:2 ). 

Como a palavra de Deus é pão que dá vida, basta ouvi-la atentamente que o homem comerá o que é bom ( Is 55:1 ). Para adquirir o que é ofertado pelo Senhor não é necessário o produto do trabalho (dinheiro), antes basta ouvir diligentemente, que alcançará a luz da vida.

A perdição se deu pelo ouvir a palavra do engano, e a salvação é pelo ouvir a Palavra da Verdade. Basta inclinar os ouvidos à palavra de Deus que o homem se achegará a Ele, uma vez que a barreira de separação foi erguida porque o homem deu ouvido ao pai da mentira. 

Jesus anunciou: “Vinde a mim (…) e aprendei de mim, que sou humilde e manso de coração” ( Mt 11:28 ). Só aprende aquele que dá crédito, ou seja, que ouve a palavra de Deus ( Mt 11:15 ). 

Ora, o Verbo encarnado clamou aos seus, porém não deram ouvidos à sua voz. O próprio pão que dá vida se ofereceu para que os homens tivessem vida ( Jo 6:51 ), porém, em lugar de ouvi-lo, queriam executar a obra de Deus. 

Realizar a obra de Deus? Sim! Eles desejavam realizar a obra de Deus, assim como o povo que saiu do Egito prometeu executar tudo o que Deus prescrevesse “Tudo que o Senhor falou, faremos” ( Ex 19:8 ). 

O povo de Israel comeu maná no deserto, e, logo após, murmuraram por causa de água. Do mesmo modo, após comer dos pães que foram multiplicados por Cristo, o povo murmurou querendo outro sinal ( Jo 6:30 ). 

Jesus os alertou citando as escrituras: “Serão todos ensinados por Deus” ( Jo 6:45 ), ou seja, qualquer que ouve e aprende de Deus chega-se a Cristo para obter vida ( Jo 6:40 e Jo 6:47 ). Jesus declarou abertamente que Ele é o pão da vida, ou seja, Ele é o Verbo de Deus, Ele é ‘tudo que sai da boca de Deus’ por Quem todo e qualquer homem que se alimenta viverá ( Dt 8:3 ).

Todos que comeram o maná no deserto morreram ( Jo 6:49 ), e Jesus se apresenta como o pão que desceu do céu, do qual quem comer não morre ( Jo 6:50 ). A mensagem de Cristo é a mesma do profeta Isaias: “Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei” ( Mt 11:28 ), ou seja, qualquer que o ouvir receberá alívio “Inclinai os vossos ouvidos, e vinde a mim; ouvi, e a vossa alma viverá” ( Is 55:3 ). 

Qualquer que ouve, ou seja, que come do pão que desceu dos céus, que se alimenta de Cristo, alcança comunhão com Deus “Ouvi-me atentamente, e comei o que é bom, e a vossa alma se deleite com a gordura” ( Is 55:2 ). 

A oferta de ‘vinho’ e ‘leite’ restringe-se aos que não tem dinheiro. Basta ter sede que o homem é saciado pelo Senhor! Quem tem sede será saciado, ou seja, deve fazer como o salmista Davi, que disse: “Digna-te, ó SENHOR, livrar-me: SENHOR, apressa-te em meu auxílio” ( Sl 40:13 ). 

Qualquer que ouve a palavra do Senhor come o que é bom, porém, há aqueles que querem satisfazer a necessidade de salvação através do produto do seu trabalho, ou seja, em vez de ouvir, os homens querem realizar a obra de Deus. 

Deus alerta aqueles que querem utilizar as suas riquezas (dinheiro=boas ações, religiosidade, moral, sacrifício, ascetismo, etc.) naquilo que não é pão, ou seja, que não concede vida. O que representa o ‘produto do trabalho’ do homem? É uma alusão a falta de confiança na providencia divina, pois é maldito qualquer que não confia, ou que não escuta, ou que não ouve, ou que não come o que é bom “Dize-lhes pois: Assim diz o SENHOR Deus de Israel: Maldito o homem que não escutar as palavras desta aliança…” ( Jr 11:3 ). 

A salvação (força) do Senhor é a alegria do Cristão, mas qualquer que faz da sua carne o seu braço (força), aparta-se do Senhor. Por não ouvir a palavra do Senhor, não come o que é bom e continua sob a maldição herdada de Adão “Assim diz o SENHOR: Maldito o homem que confia no homem, e faz da carne o seu braço, e aparta o seu coração do SENHOR!” ( Jr 17:5 ). 

O ‘produto do trabalho’ do homem é o mesmo que violência diante de Deus “As suas teias não prestam para vestes nem se poderão cobrir com as suas obras; as suas obras são obras de iniqüidade, e obra de violência há nas suas mãos” ( Is 59:6 ). O alerta é solene: “Não por força nem por violência, mas pelo meu espírito…” ( Zc 4:6 ), ou seja, o trabalho e o produto do trabalho diante de Deus é abominação. 

Apesar do convite solene, Jesus demonstra qual é o posicionamento dos homens: “E, desde os dias de João o Batista até agora, se faz violência ao reino dos céus, e pela força se apoderam dele” ( Mt 11:12 ). Não dão ouvidos ao Espírito que foi enviado para evangelizar os necessitados ( Lc 4:18 ; Mt 11:12 ), mas querem realizar a obra de Deus, ou seja, querem utilizar o produto do trabalho, que é força e violência, ‘naquilo que não pode satisfazer’ ( Is 55:2 ). 

Constitui-se uma afronta tentar comprar o que é oferecido gratuitamente. Não há como adquirir por preço o que não tem preço, ou melhor, como a redenção é caríssima, os recursos de qualquer homem se esgotariam ( Sl 49:8 ). 

Qualquer que ouvir a palavra da verdade pode exultar com a mesma confiança que teve o apóstolo Pedro: “Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que, segundo a sua grande misericórdia, nos gerou de novo para uma viva esperança (…) tendo sido regenerados, não de semente corruptível, mas da incorruptível, pela palavra de Deus, a qual vive e é permanente” ( 1Pe 1:22 e 22 e 23). 

O Verbo encarnado, que foi morto e ressurgiu dentre os mortos, vive para sempre, e qualquer que se alimentar da sua carne e beber do seu sangue ( Jo 6:53 ), será participante da natureza divina, tornando-se filhos de Deus ( 1Pe 1:4 ).

João Calvino, o Evangelista em GenebraCalvino

Publicado em 11 de junho de 2009 – 7:00

por Dr. Joel Beeke

Calvino acreditava que devemos fazer uso total das oportunidades que Deus dá para evangelizar. “Quando uma oportunidade para edificação se apresenta, devemos perceber que uma porta foi aberta para nós pela mão de Deus a fim de que possamos introduzir Cristo naquele lugar e não devemos nos recusar a aceitar o generoso convite que Deus nos faz”, ele escreve. [1]

Por outro lado, quando as oportunidades são restritas e as portas do evangelismo estão fechadas ao nosso testemunho, não devemos persistir em tentar fazer o que não pode ser feito. Ao contrário, devemos orar e buscar outras oportunidades. “A porta está fechada quando não há expectativa de sucesso. [Então] temos que tomar um caminho diferente ao invés de desgastarmos-nos em vãos esforços para alcançá-los”, Calvino escreve. [2] Entretanto, dificuldades para testemunhar não são desculpas para deixar de tentar. Para aqueles que estavam sofrendo restrições e perseguições severas na França, Calvino escreveu: “Vamos, cada um, empenhar-nos em atrair e ganhar para Jesus Cristo aqueles que pudermos”. [3] “Cada homem deve cumprir seu dever sem ceder a qualquer impedimento. No fim, nosso esforço e nossas fadigas não falharão; eles receberão o sucesso que ainda não aparece”. [4]

Vamos examinar neste artigo a prática de evangelização de Calvino em sua congregação e na sua própria cidade de Genebra.

Com freqüência pensamos em evangelização hoje apenas como a obra regeneradora do Espírito e da conseqüente recepção de Cristo pelo pecador através da fé. Por isto, rejeitamos a ênfase de Calvino na conversão como um processo contínuo envolvendo a pessoa como um todo.

Para Calvino, evangelização envolve um chamado contínuo e autoritativo ao crente na igreja para exercer a fé no Cristo crucificado e ressurreto. Esta convocação é um compromisso para a vida toda. Evangelização significa apresentar Cristo de modo que as pessoas, pelo poder do Espírito, possam vir a Deus em Cristo. Mas também significa apresentar Cristo de modo a que o crente possa servi-lo como Senhor na comunhão da Sua igreja e no mundo. Evangelização requer edificar crente na fé mais santa de acordo com os cinco princípios-chave da Reforma: Sola Scriptura, Sola Fide, Sola Gracia, Solus Christus, Sole Deo Gloria.

Calvino foi um notável praticante deste tipo de evangelização dentro de sua própria congregação. Para Calvino, o evangelismo começa com a pregação. Como escreve William Bouwsma: “Ele pregava regularmente e com freqüência: no Velho Testamento nos dias de semana às seis da manhã (sete no inverno), alternadamente; no Novo Testamento, nas manhãs de domingo e nos Salmos, no domingo à tarde. Durante a sua vida ele pregou, neste sistema, cerca de 4.000 sermões depois do seu retorno a Genebra: mais de 170 sermões por ano”. Pregar era tão importante para Calvino que, quando estava rememorando as realizações da sua vida, no seu leito de morte, ele mencionou seus sermões na frente dos seus escritos. [5]

O intento de Calvino na sua pregação era evangelizar tanto quanto edificar. Em média ele pregava em quatro ou cinco versículos do Velho Testamento e dois ou três versículos do Novo Testamento. Ele refletia sobre uma pequena porção do texto de cada vez, explicando primeiro o texto e depois, aplicando-o às vidas da sua congregação. Os sermões de Calvino jamais eram curtos na aplicação; ao contrário, a aplicação era mais longa do que a exposição em seus sermões. Os pregadores devem ser como pais, ele escreveu, “dividindo o pão em pedaços pequenos para alimentar seus filhos”.

Ele também era sucinto. Como o sucessor de Calvino, Theodoro Beza, disse da pregação do reformador: “Cada palavra pesava uma libra”.

Calvino instruía freqüentemente sua congregação sobre como ouvir um sermão. Ele os ensinava o que procurar na pregação, em que espírito eles deveriam ouvir. Seu alvo era ajudar as pessoas a participarem do sermão o mais que pudessem de modo a alimentar suas almas. A atitude de alguém que vem para um sermão, dizia Calvino, deveria incluir “prontidão para obedecer a Deus completamente e sem qualquer reserva”. [6] “Nós não vimos para a pregação unicamente para ouvir o que não sabemos”, Calvino acrescentou, “mas para ser incitado a cumprir o nosso dever”. [7]

Calvino também alcançava os não salvos através de sua pregação, impressionando-os com a necessidade de ter fé em Cristo e o que isto significava. Ele deixava claro que não acreditava que todos no seu rebanho estavam salvos. Embora caridoso com os membros da igreja que mantinham um estilo de vida aparentemente recomendável, ele também referiu-se mais de trinta vezes em seus comentários e nove vezes em suas Institutas (contando apenas as referências de 3.21 a 3.24) ao pequeno número daqueles que recebem a Palavra pregada com fé salvífica: “Se um sermão é pregado, digamos, a cem pessoas, vinte o recebem com a obediência pronta de fé, enquanto o resto o toma como sem valor, ou ri, ou vaia ou detesta-o”, disse Calvino. [8] Ele também escreveu: “pois, embora todos, em exceção, a quem a Palavra de Deus é pregada, sejam ensinados, mesmo assim apenas um em dez, se tanto, o saboreia; sim, escassos um em cem aproveita ao ponto de ser habilitado, desse modo, a prosseguir num rumo certo até o final”.

Para Calvino, a tarefa mais importante do evangelismo era a edificação dos filhos de Deus na fé mais santa e convencer os incrédulos da hediondez do pecado, dirigindo-os a Cristo Jesus como o único Redentor.
Evangelismo em Genebra

Calvino não limitava a pregação à sua própria congregação. Ele também a usava como instrumento para divulgar a Reforma de um extremo ao outro da cidade de Genebra. Aos domingos os Estatutos Genebrinos requeriam sermões em cada uma das três igrejas na alvorada e às 9 da manhã. À tarde as crianças vinham para as classes de catecismo. Às três da tarde, sermões eram pregados novamente em cada igreja.

Durante a semana eram programados sermões em diferentes horários nas três igrejas nas Segundas, Quartas e Sextas. Ao tempo da morte de Calvino, um sermão era pregado em cada igreja, todos os dias da semana.

Mesmo assim não era suficiente. Calvino desejava reformar os genebrinos em todas as esferas da vida. Em seus estatutos eclesiásticos ele requeria três funções adicionais além da pregação que cada igreja deveria oferecer:

1. Ensino. Os doutores em teologia deveriam explicar a Palavra de Deus, primeiro em conferências informais, depois em ambiente mais formal da Academia de Genebra, estabelecida em 1559. Ao tempo da aposentadoria do sucessor de Calvino, Theodoro Beza, a Academia de Genebra havia treinado 1.600 homens para o ministério.

2. Disciplina. Os presbíteros designados dentro de cada congregação deviam, com a assistência dos pastores, manter a disciplina cristã, observando os membros da igreja e seus líderes.

3. Caridade. Os diáconos em cada igreja deviam receber as contribuições e distribuí-las aos pobres.

Inicialmente a reforma de Calvino encontrou dura oposição local. As pessoas particularmente objetavam a utilização pela igreja de excomunhão para reforçar a disciplina eclesiástica. Depois de anos de controvérsias, os cidadãos locais e refugiados religiosos que apoiavam Calvino ganharam o controle da cidade. Nos últimos nove anos da sua vida, o controle de Calvino sobre Genebra foi quase total.

Entretanto, Calvino desejava fazer mais do que reformar Genebra. Ele queria que a cidade se tornasse uma espécie de modelo do reino de Cristo para o mundo inteiro. Na verdade a reputação e a influência da comunidade genebrina espalhou-se para a vizinha França, depois para a Escócia, Inglaterra, Holanda, parte da Alemanha ocidental, e partes da Polônia, Tchecoslováquia e Hungria. A igreja de Genebra tornou-se um modelo para o movimento reformado inteiro.

A Academia de Genebra também assumiu um papel criticamente importante, pois logo se tornou mais que um lugar para se aprender teologia. Em “João Calvino: Diretor de Missões”, Philip Hugues escreve:

“A Genebra de Calvino não foi uma torre de marfim teológico que viveu para si mesma. As naves humanas eram equipadas e reparadas neste porto…para que pudessem ser lançadas nos circunvizinhos oceanos das necessidades do mundo, encarando bravamente cada tempestade e cada perigo que as aguardava, a fim de trazer a luz do Evangelho de Cristo para aqueles que estavam na ignorância e escuridão de onde eles próprios originalmente vieram”. [10]

Através da influência da Academia, John Knox levou a doutrina evangélica para a sua Escócia natal; ingleses foram equipados para liderar a causa na Inglaterra; italianos tiveram o que necessitavam para ensinar na Itália e os franceses (que formavam a grande massa de refugiados) estenderam o Calvinismo para a França. Inspirados pela visão verdadeiramente ecumênica de Calvino, Genebra tornou-se o núcleo de onde a evangelização se espalhou por todo o mundo. De acordo com o Registro da Companhia de Pastores, entre 1555 e 1562, oitenta e oito homens foram enviados para fora de Genebra, para diferentes lugares do mundo. Estes dados são lamentavelmente incompletos. Em 1561, que parece ter sido o ano culminante da atividade missionária, o envio de apenas doze homens está registrado, enquanto que outras fontes indicam que perto de vinte vezes aquele número – não menos do que 142 – saíram em missões particulares. [11]

Esta é uma espantosa realização para um esforço que começou com uma pequena igreja se debatendo dentro de uma minúscula cidade – república. Contudo, o próprio Calvino reconheceu o valor estratégico do esforço. Ele escreveu para Bullinger: “Quando considero quão importante é este recanto (de Genebra) para a propagação do reino de Cristo, eu tenho uma boa razão para desejar que ele seja cuidadosamente vigiado”. [12]

Em um sermão em 1 Timóteo 3:14, Calvino pregou: “Que possamos atentar para o que Deus tem nos ordenado, que Ele teria prazer em mostrar Sua graça, não apenas sobre uma cidade ou um punhado de pessoas, mas que reinaria sobre todo o mundo; que cada um possa servi-lo e adorá-lo em verdade”.

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